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Olhos cor de céu (trecho) – Bukowski

Olhos cor de céu (trecho)

(…) confessou que andava farto das reuniões sempre iguais e sem graça da pretensa POESIA NOVA. a poesia continua sendo a maior picaretagem de esnobes no terreno das Artes, com panelinhas literárias lutando por  prestígio. ainda acho que o maior antro de pedantes inventado até hoje foi o velho grupo da MONTANHA NEGRA. e Creeley continua sendo temido, dentro e fora das universidades – temido e admirado -, mais que qualquer outro poeta. depois temos os acadêmicos, que, como Creeley, escrevem tudo certinho. no fundo, a poesia de maior aceitação hoje em dia ocupa uma redoma de vidro, vistosa e escorregadia, e aquecida pelo sol ali dentro existe uma junção de palavras formando um todo meio metálico e desumano ou um ângulo semiescondido. é uma poesia para milionários e gordos desocupados, e portanto sempre conta com mecenas e sobrevive, pois o segredo consiste em reunir um bando de eleitos e o resto que se foda. mas é uma poesia sem vida, chatérrima, a tal ponto que a sua insipidez é interpretada como possuindo um significado oculto – o significado está oculto, evidentemente, e de maneira tão perfeita que é o mesmo que se não existisse. mas se VOCÊ não consegue descobri-lo, é por falta de alma, sensibilidade e não sei mais o quê, portanto TRATE DE DESCOBRIR SENÃO VAI SE SENTIR HUMILHADO. e se por acaso não descobrir, então, BICO CALADO.

a todas essas, cada 2 ou 3 anos, algum acadêmico, querendo garantir seu lugar na hierarquia universitária (e se você pensa que o Vietnã é um inferno, precisa ver o que acontece entre essas chamadas sumidades em matéria de guerras de intriga e poder dentro de seus próprios cubículos), apresenta a mesma velha antologia de poemas sintéticos e sem culhões com o rótulo de A NOVA POESIA ou A NOVÍSSIMA POESIA, que sempre vem a dar no mesmo baralho de cartas marcadas. (…)

(Charles Bukowski)
(conferido e digitado por mim mesmo, do livro Fabulário geral do delírio cotidiano: ereções, ejaculações e exibicionismos: parte II – tradução de Milton Persson – Porto Alegre: L&PM:2013. ps. 212 e 213)

Charles-Bukowski-9230860-1-402Leia mais Bukowski

Fabio Rocha

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Elegia 1938 (com vídeo com Caetano Veloso)

Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Carlos Drummond de Andrade )
(Poema digitado e conferido por mim mesmo, publicado em Antologia Poética – 12a edição – Rio de Janeiro: José Olympio, 1978, p. 107)

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Fabio Rocha

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Soneto de Aniversário – Vinícius de Moraes

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece….
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

( Vinícius de Moraes )
(Poema do livro “Vinicius de Moraes – Poesia completa e prosa”, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, p. 451.)

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Deseje Feliz Aniversário com poesia! :)

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Dia do Poeta – 20 de outubro

Dia do Poeta – 20 de outubro

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Celebrem o dia do poeta lendo e compartilhando seus poemas sem erros ou falsas autorias!

Leia também sobre o dia da poesia e outros posts educativos.

Fabio Rocha

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