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Se procurar bem você acaba encontrando (Lembrete) – Drummond (com foto)

Lembrete

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade )
(Conferido online por mim mesmo, no livro Poesia Completa. Nova Aguilar, 2002. p. 1256)

Drummond

Fotografia e arte de Rebeca dos Anjos, para A Magia da Poesia

Leia mais Carlos Drummond de Andrade

Fabio Rocha

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Um apaixonado pela poesia. (saiba +)


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Poesia, Poemas, Versos – Qual a diferença? O que é poesia? E poema? E verso? E estrofe?

Versos, poesias, poemas – Qual a diferença entre os conceitos?  

  • O que é verso?
  • O que é poesia?
  • O que é poema?
  • Qual a diferença entre poema e poesia?

Questões complexas muito perguntadas na internet, pelo que tenho reparado. Vou tentar responder abaixo, aproveitando para tentar explicar um pouco mais outros conceitos relevantes relacionados que podem esclarecer outras dúvidas:

  • Poema - é a obra (texto) em verso, poema é a organização, estrutura das palavras. Existe por si mesmo, independente de quem o lê.
  • Poesia - é a qualidade poética de um texto ou obra de arte ou situação. Pode haver poesia num por de sol, por exemplo. Está em quem a sente. Filosoficamente, ela não pode existir por si mesma, independentemente de alguém que a sinta.
  • Verso - é cada linha de um poema. Também é chamado verso a forma de escrita que não é prosa.
  • Estrofe - é cada uma das seções que constituem um poema. Isto é, cada agrupamento de versos, separadas por uma linha em branco.

OBS.: Poesia e poema também podem ser considerados sinônimos. Leia as citações abaixo:

“Se o poema é um objeto empírico e se a poesia é uma substância imaterial, é que o primeiro tem uma existência concreta e a segunda não. Ou seja: o poema, depois de criado, existe per si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor, mas a poesia só existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo; secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres e tenta (ou não) objetivá-la num poema; terciariamente, no próprio poema resultante desse trabalho objetivador do indivíduo-poeta.” (LYRA, Pedro. Conceito de Poesia. São Paulo: Ática, 1986.)

“Poesia: Caráter do que emociona, toca a sensibilidade. Sugerir emoções por meio de uma linguagem.” (Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. RJ: Nova Fronteira, 1993.)

Com isso, cabe dizer também que não acho muito importante definir. Definir é limitar… E, como bem disse Quintana, “A poesia não se entrega a quem a define.” Esse pensamento pode ser complementado por esta bela definição de Yang Wang-Li (tradução livre minha): “O que é poesia? Se você diz que é uma questão de palavras, eu lhe digo que um bom poeta vai além das palavras. Se você diz que é uma questão de significado, eu lhe digo que um bom poeta vai além do significado.”

poesias poemas versos

OBS.: Estrofes podem ser classificadas pelo número de versos:

  • 1 verso – Monóstico
  • 2 versos – Dístico
  • 3 versos – Terceto
  • 4 versos – Quarteto ou quadra
  • 5 versos – Quintilha
  • 6 versos – Sextilha
  • 7 versos – Septilha
  • 8 versos – Oitava
  • 9 versos – Nona
  • 10 versos – Décima
  • Mais de 10 versos – Estrofe irregular

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Um pouco de História

Fortemente relacionada com a música, beleza e arte, a poesia tem as suas raízes históricas nas letras de acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Média, eram cantadas. Só depois é que o texto foi separado do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem uma grande importância.

Na Grécia Antiga, foi a forma predominante de literatura. Os três gêneros (lírico, dramático e épico) eram escritos em forma de poemas. A narrativa, entretanto, foi tomando importância, ficando a poesia mais relacionada com o gênero lírico.

A poesia tinha uma forma fixa: seus versos eram metrificados, isto é, observavam os acentos, a contagem silábica, o ritmo e as rimas. A contagem silábica dos versos foi sempre muito valorizada até o início do século XX. Quando a obra que não se encaixasse nas normas de metrificação não era considerada poesia. Isto mudou com a influência do Modernismo- movimento cultural, surgido na Europa que buscava ruptura com o classicismo. Atualmente (principalmente depois do modernismo e da semana de arte moderna) o ritmo dos versos foi liberado e temos os chamados “versos livres” que não seguem nenhuma métrica.
Referências:
Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
LYRA, Pedro. Conceito de Poesia. São Paulo: Ática, 1986.
(Adaptado com correções da Wikipedia)

Para saber como separar as sílabas dos versos, leia este post sobre escansão.

Não deixe de conhecer também nossa seleção de poemas de grandes poetas famosos, sem erros ou falsas autorias (coisa cada vez mais rara na internet).

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Poesias, poemas, versos – Qual a diferença?

Fabio Rocha

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Propaganda Eleitoral

Propaganda Eleitoral

Na TV, só teu retrato
com teu número e teu nome.
Serás mesmo candidato
ou simples sombra que some?

(Carlos Drummond de Andrade)
(Digitado e conferido por mim mesmo no livro Amar se aprende amando, 22a. edição, Rio de Janeiro: Record, 1999. p. 144)

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Leia mais Carlos Drummond de Andrade

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As mãos de meu pai – Quintana

As mãos de meu pai

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos…
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas…
essa chama de vida – que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

( Mario Quintana )
(Poema publicado originalmente no livro Esconderijos do Tempo, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 491)

(Perfeito pro dia dos pais…) ;)

maos-pai

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