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Dicas para novos escritores e poetas: Quer saber se o que escreve está bom, como publicar, se vale a pena participar de concursos literários?

Dicas para novos escritores e poetas: Quer saber se o que escreve está bom, como publicar, se vale a pena participar de concursos literários?

“Meus poemas são bons? Como faço pra publicar um livro?” São essas as perguntas que mais recebo na internet. Tentarei responder com o que aprendi vida afora.

Primeiro, é preciso que você leia, como bem lembrou um leitor desse site de Luanda, “o aspirante a poeta ou novelista deve primar pelo domínio da língua (gramática) e possuir um certo grau de vocabulário, que lhe advém de muita leitura.” (José Luís Mendonça) Sem isso, é impossível escrever realmente bem. Correndo o risco de parecer óbvio, lembro também a importância de reler o que você mesmo escreveu. A maioria imensa do que recebo vem cheio de erros básicos de Português.

Também considero importante o processo na escrita poética (e na arte em geral). Recomendo a leitura desse post sobre Valdir Sarubbi para expandir seus horizontes.

Dito isto, para saber o valor do seu texto, acho que o mais importante, é você mesmo gostar dele. Vai ter sempre gente que vai gostar e gente que não vai gostar, mas o que importa mais é a sua própria opinião. Além disso, ninguém sabe direito o que é ou não é arte. Logo, não valorizo os críticos profissionais, assim como muitos poetas. Também questiono o valor do conhecimento teórico para escrever poesia. Acho que podemos criar muito bem sem saber escandir, o que é uma redondilha, poesia concreta, a diferença entre haikai e poetrix, ou quem foi Bashô. Fazer uma faculdade de Letras também não me parece uma condição necessária (no meu caso nem concluí o curso ao perceber que era todo voltado para dar aulas e não acrescentaria basicamente nada aos meus escritos).

Uma dica que me deram quando comecei e acho interessante é não se prender muito à forma do poema, principalmente nos seus primeiros poemas. Temos a tendência a encher de rimas ou se preocupar demais com a métrica quando começamos a escrever poesia. E o essencial é a mensagem, o que você quer passar, o que tem a dizer. Porém sem desleixo, sem escrever e nem ler e reler o que escreveu, sem se questionar minimamente sobre o que quis dizer.

Além disso, como bem disse Bukowski em seu poema “Então queres ser escritor”, é preciso ter o que dizer. O essencial mesmo é isso. E ter paixão por escrever. Rilke, em seu “Cartas a um jovem poeta” diz que “Basta sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo.”  Leminski dá outras dicas boas nesses vídeos. E Quintana, nesta carta. Não deixe de ler também essas cartas de Caio Fernando Abreu sobre o que é ser escritor.

Quanto a escrever um livro, buscar editoras, revistas e concursos literários, falo mais nesse post, onde também deixo um conselho de Rilke pra quem quer ser poeta. Bukowski também fala bem disso aqui. Em resumo, recomendo que faça um blog em vez de publicar um livro, que aproveite a liberdade que a internet proporciona. Mas, se tiver aquele sonho de um livro em papel, tome cuidado com editoras que só visam o lucro. Há várias hoje em dia que não cobram nada de novos autores, se acreditarem em suas obras. Antes de tudo, porém, registre seu livro na Biblioteca Nacional (Escritório de Direitos Autorais – EDA), como sempre fiz com meus livros e e-books (junte tudo num livro só para sair mais barato e envie pra eles pelo correio – no site da Biblioteca Nacional explica os detalhes).

Quanto aos concursos literários, hoje em dia acho a mesma coisa do que sobre os críticos em geral… Vale mais é a importância do escrever para você mesmo. Mas se quiser participar, atualmente há um blog sem fins lucrativos que os está organizando e divulgando muito bem: http://concursos-literarios.blogspot.com.br/

Um abraço e boa sorte!

 

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Fabio Rocha

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Poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000, é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo, publicados em diversas revistas literárias, bem como na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009). (saiba +)


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Me encante com uma certa calma – Não é Neruda nem Pessoa, é Silvana Duboc

Me encante com uma certa calma

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!!!

(Silvana Duboc)

me-encante-com-uma-certa-calma

Até as pixações de poemas pela cidade são muitas vezes falsas autorias… Essa eu descobri através de um amigo que fotografou esse trecho, num muro quase ao lado de onde moro, no Recreio (Rio de Janeiro). A partir daí, fomos pesquisar e confirmamos mais essa autoria trocada. Não é de Pablo Neruda nem de Fernando Pessoa, como dito em vários sites. O “Pensador”, que tanto combatemos como propagador de autorias erradas, publicou o poema como se fosse de Neruda aqui. A confusão já estava descoberta também nessa lista enorme de textos com autorias trocadas que acabei descobrindo.

Fabio Rocha

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Poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000, é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo, publicados em diversas revistas literárias, bem como na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009). (saiba +)


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Virgens Mortas – Olavo Bilac

Virgens Mortas

Quando uma virgem morre, uma estrela aparece,
Nova, no velho engaste azul do firmamento:
E a alma da que morreu, de momento em momento,
Na luz da que nasceu palpita e resplandece.

Ó vós, que no silêncio e no recolhimento
Do campo, conversais a sós, quando anoitece,
Cuidado! – o que dizeis, como um rumor de prece,
Vai sussurrar no céu, levado pelo vento…

Namorados, que andais, com a boca transbordando
De beijos, perturbando o campo sossegado
E o casto coração das flores inflamando,

- Piedade! elas vêem tudo entre as moitas escuras…
Piedade! esse impudor ofende o olhar gelado
Das que viveram sós, das que morreram puras!

Olavo Bilac )
(Poema digitado e conferido por mim mesmo, publicado em  Antologia Poética - Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. p. 59)

virgens mortas

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Fabio Rocha

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Poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000, é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo, publicados em diversas revistas literárias, bem como na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009). (saiba +)


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Percalços da Posteridade – Quintana

Percalços da Posteridade

O mais irritante em nos transformarem um dia em estátuas é que a gente não pode coçar-se.

Mario Quintana )
(Poema do livro “Da preguiça como método de trabalho”, retirado por mim mesmo, do livro Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 687)

estatua-mario-quintana

Estátua de Drummond e Quintana na Praça da Alfândega em Porto Alegre, RS.

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Fabio Rocha

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Poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000, é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo, publicados em diversas revistas literárias, bem como na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009). (saiba +)