Cora Coralina – Poemas
Cora Coralina – Poemas Originais Selecionados
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
( Cora Coralina )
(Poema conferido e digitado por mim mesmo e Rebeca dos Anjos em 1 de novembro de 2012, retirado do livro Melhores Poemas; seleção e apresentação Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 3a edição, 2008. 4a reimpressão, 2011. p. 243)
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Minha infância
(Freudiana)
Éramos quatro as filhas de minha mãe.
Entre elas ocupei sempre o pior lugar.
Duas me precederam – eram lindas, mimadas.
Devia ser a última, no entanto,
veio outra que ficou sendo a caçula.
Quando nasci, meu velho Pai agonizava,
logo após morria.
Cresci filha sem pai,
secundária na turma das irmãs.
Eu era triste, nervosa e feia.
Amarela, de rosto empalamado.
De pernas moles, caindo à toa.
Os que assim me viam – diziam:
“- Essa menina é o retrato vivo
do velho pai doente”.
Tinha medo das estórias
que ouvia, então, contar:
assombração, lobisomem, mula sem cabeça.
Almas penadas do outro mundo e do capeta.
Tinha as pernas moles
e os joelhos sempre machucados,
feridos, esfolados.
De tanto que caía.
Caía à toa.
Caía nos degraus.
Caía no lajedo do terreiro.
Chorava, importunava.
De dentro a casa comandava:
“- Levanta, moleirona”.
Minhas pernas moles desajudavam.
Gritava, gemia.
De dentro a casa respondia:
“- Levanta, pandorga”.
Caía à toa…
nos degraus da escada,
no lajeado do terreiro.
Chorava. Chamava. Reclamava.
De dentro a casa se impacientava:
” – Levanta, perna-mole…”
E a moleirona, pandorga, perna-mole
se levantava com seu próprio esforço.
Meus brinquedos…
Coquilhos de palmeira.
Bonecas de pano.
Caquinhos de louça.
Cavalinhos de forquilha.
Viagens infindáveis…
Meu mundo imaginário
mesclado à realidade.
E a casa me cortava: “menina inzoneira!”
Companhia indesejável – sempre pronta
a sair com minhas irmãs,
era de ver as arrelias
e as tramas que faziam
para saírem juntas
e me deixarem sozinha,
sempre em casa.
A rua… a rua!…
(Atração lúdica, anseio vivo da criança,
mundo sugestivo de maravilhosas descobertas)
- proibida às meninas do meu tempo.
Rígidos preconceitos familiares,
normas abusivas de educação
- emparedavam.
A rua. A ponte. Gente que passava,
o rio mesmo, correndo debaixo da janela,
eu via por um vidro quebrado, da vidraça
empanada.
Na quietude sepulcral da casa,
era proibida, incomodava, a fala alta,
a risada franca, o grito espontâneo,
a turbulência ativa das crianças.
Contenção… motivação…Comportamento estreito,
limitando, estreitando exuberâncias,
pisando sensibilidades.
A gesta dentro de mim…
Um mundo heroico, sublimado,
superposto, insuspeitado,
misturado à realidade.
E a casa alheada, sem pressentir a gestação,
acrimoniosa repisava:
” – Menina inzoneira!”
O sinapismo do ablativo
queimava.
Intimidada, diminuída. Incompreendida.
Atitudes impostas, falsas, contrafeitas.
Repreensões ferinas, humilhantes.
E o medo de falar…
E a certeza de estar sempre errando…
Aprender a ficar calada.
Menina abobada, ouvindo sem responder.
Daí, no fim da minha vida,
esta cinza que me cobre…
Este desejo obscuro, amargo, anárquico
de me esconder,
mudar o ser, não ser,
sumir, desaparecer,
e reaparecer
numa anônima criatura
sem compromisso de classe, de família.
Eu era triste, nervosa e feia.
Chorona.
Amarela de rosto empalamado,
de pernas moles, caindo à toa.
Um velho tio que assim me via
dizia:
“- Esta filha de minha sobrinha é idiota.
Melhor fora não ter nascido!”
Melhor fora não ter nascido…
Feia, medrosa e triste.
Criada à moda antiga,
- ralhos e castigos.
Espezinhada, domada.
Que trabalho imenso dei à casa
para me torcer, retorcer,
medir e desmedir.
E me fazer tão outra,
diferente,
do que eu deveria ser.
Triste, nervosa e feia.
Amarela de rosto empapuçado.
De pernas moles, caindo à toa.
Retrato vivo de um velho doente.
Indesejável entre as irmãs.
Sem carinho de Mãe.
Sem proteção de Pai…
- melhor fora não ter nascido.
E nunca realizei nada na vida.
Sempre a inferioridade me tolheu.
E foi assim, sem luta, que me acomodei
na mediocridade de meu destino.
( Cora Coralina )
(Poema conferido e digitado por mim mesmo e Rebeca dos Anjos em 28 de outubro de 2012, retirado do livro Melhores Poemas; seleção e apresentação Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 3a edição, 2008. 4a reimpressão, 2011. ps. 95 a 100)
*
O Cântico da Terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
( Cora Coralina )
*
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições…
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
( Cora Coralina )
*
O Passado…
O salão da frente recende a cravo.
Um grupo de gente moça
se reúne ali.
“Clube Literário Goiano”.
Rosa Godinho.
Luzia de Oliveira.
Leodegária de Jesus,
a presidência.
Nós, gente menor,
sentadas, convencidas, formais.
Respondendo à chamada.
Ouvindo atentas a leitura da ata.
Pedindo a palavra.
Levantando idéias geniais.
Encerrada a sessão com seriedade,
passávamos à tertúlia.
O velho harmônio, uma flauta, um bandolim.
Músicas antigas. Recitativos.
Declamavam-se monólogos.
Dialogávamos em rimas e risos.
D. Virgínia. Benjamim.
Rodolfo. Ludugero.
Veros anfitriões.
Sangrias. Doces. Licor de rosa.
Distinção. Agrado.
O Passado…
Homens sem pressa,
talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?…
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas…
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado.
( Cora Coralina )
*
Todas as Vidas
Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!
( Cora Coralina )
*
Eu Voltarei
Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho,
servidor do próximo,
honesto e simples, de pensamentos limpos.
Seremos padeiros e teremos padarias.
Muitos filhos à nossa volta.
Cada nascer de um filho
será marcado com o plantio de uma árvore simbólica.
A árvore de Paulo, a árvore de Manoel,
a árvore de Ruth, a árvorede Roseta.
Seremos alegres e estaremos sempre a cantar.
Nossas panificadoras terão feixes de trigo enfeitando suas portas,
teremos uma fazenda e um Horto Florestal.
Plantaremos o mogno, o jacarandá,
o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro.
Plantarei árvores para as gerações futuras.
Meus filhos plantarão o trigo e o milho, e serão padeiros.
Terão moinhos e serrarias e panificadoras.
Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens
e mulheres, ligados profundamente
ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar.
E eu morrerei tranqüilamente dentro de um campo de trigo ou
milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros.
Eu voltarei…
A pedra do meu túmulo
será enfeitada de espigas de trigo
e cereais quebrados
minha oferta póstuma às formigas
que têm suas casinhas subterra
e aos pássaros cantores
que têm seus ninhos nas altas e floridas
frondes.
Eu voltarei…
( Cora Coralina )
*
Considerações de Aninha
Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos
( Cora Coralina )
*
Antiguidades
Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmão mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada…
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais !
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
“Tomando propósito”.
Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas…
- Valha-me Deus !…
As visitas…
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas!
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversar
que davam sono.
Antiguidades…
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita – alta, magrinha.
Lili – baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
“- Lili é a bengala de D. Benedita”.
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio…
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.
D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando “causos” infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.
( Cora Coralina )
*
Conclusões de Aninha
Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
“A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.”
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.
( Cora Coralina )
*
Velho
Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.
Envolve-te o crepúsculo gelado
Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.
A cabeça pendida de fadiga,
Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.
Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,
Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.
( Cora Coralina )
*
Ressalva
Versos… não
Poesia… não
um modo diferente de contar velhas histórias
( Cora Coralina )
*
Assim eu vejo a vida
A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
( Cora Coralina )
*
Mascarados
Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.
( Cora Coralina )
*
Ofertas de Aninha
(aos moços)
Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
que vai ligando a família humana
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros
e angústias do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futura dos erros e violências
do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
( Cora Coralina )
(Poema conferido e digitado por mim mesmo e Rebeca dos Anjos em 28 de outubro de 2012, retirado do livro Melhores Poemas; seleção e apresentação Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 3a edição, 2008. 4a reimpressão, 2011. ps. 132 e 133)
Conheça Também:
Cora Coralina – Wikipedia
(Seleção de Fabio Rocha)
Cora Coralina – Poemas

A poeta Cora Coralina
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È exemplo para muitos jovens…. E para muitas mulheres sofredoras…
Maravilhoso o poema ANTIGUIDADES deu até vontade de comer do bolo!
Aplausos para essa poeta que teve a coragem e ousadia de publicar seus belos poemas já com idade avançada!É exemplo para muitos jovens…
LINDOS
Amo todos estes poemas desta super mulher…todos fazem com que nossas vivências sejam mais belas. Mais singulares, mais significativas enfim.
Eterna cora Coralina.
adoro Cora Coralina, aprendi a admirá-la desde que me entendo por gente. Sua simplicidade e sabedoria é algo fascinante e inspirador na vida dos amantes de literatura.
amei os seus poemas sao espetaculares amei mesmo de coracao
Concordo contigo !
cora coralina e um clssico
[...] http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cora-coralina-poemas/ [...]
A escritora Cora Coralina é uma mulher exemplar. Apesar de ter passado pouco tempo escrevendo, ela doixou uma obra literária magnífica, capaz de incentivar a muitas pessoas a escrever e principalmente a refletir sobre seus poemas e suas frases de profunda sabedoria.
Se eu fosse poeta beberia o licor de frutas silvestres que ela deixou no fundo do cálice. Se eu fosse forte o suficiente, retiraria do seu caminho as pedras que dificultassem seus passos.
Como não sou nem uma nem outra coisa, vislumbro seu vulto nas proximidades da Casa Velha da Ponte.
Muito bom a seleção de poemas……. Cora Coralina é espetacular…………
muito bom!!!!!!!!!!
Também adoro!
Cora Coralina e seus belos poemas são de uma beleza incomum.A simplicidade
é a essência da vida humana.O simples é lindo e Cora sabia escrever com toda a inspiração que vinha de dentro de sua alma,de maneira simples.
Concordo! Abração
Toda vez que a leia, me veem lacrimas nos olhos,
ela me emociona sempre, muita fibra, muita garra
muita luta ela passou, e só deixou bons exemplos
não reclamou, não falou mal de ninguem. Ajuda e
da enfase a vida, mesmo que não tenha sido bem
vivida. Parabens Fabio, mais uma vez voce é demais.
Beijão.
Amo os poemas de CORA CORALINA.
sra CORA CORALINA suas poesias sao maravilhosas, sao palavras marcantes, sua autoria e muito importante…. meu nome e vitoria regia e eu ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii seus poemas PARABENSSSSSSSSSSSSSSSSSS
Linda, profunda, sempre!
PARABÉNS. E MUTO OBRIGADO POR ME PROPORCIONAR UMA TARDE DELICIOSA EM COMPANHIA DE CORA CORALINA
Faço faculdade de pedagogia, e sempre estou ouvindo frases de incentivos escritas por Cora Coralina, e gosto muito, principalmente daquela que diz: “Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.
como gosto desses poemas!!
AMO TB:)
Sou jornalista apresentador de TV, e, simplesmente, adoro Cora Coralina. Aos moços, é uma verdadeira lição de vida. Sempre que posso, publico frases dela no meu mural do face e coloco algumas nos finais do programa que apresento. Parabéns pela iniciativa de criar um blog para divulgar tão sublime arte.
Amo toda essa sutileza.. simplicidade que me atinge de uma forma ímpar… amo!!!
Lindo
lindooo
Como amo essa senhora!
Quanto mais lemos e ouvimos chegamos aos caminhos de descoberta de fontes inesgotável da vida que é a nossa grande Cora Coralina.Grato estou eu por ter descoberto mais uma riqueza de conhecimnetos!!
lindo lindoo esplendindooo ♥
Cora, sempre Cora Coralina!
Uma pessoa espetacular!!!!
EU A AMO.
Maravilhosa, Cora!!!!
Adoro todos os poemas de Cora coralina….
lidas
Cora Carolina escreve muito
que lindos os poemas
Maravilhosa, sempre!!!!!
Conterrânea, orgulho da nossa terra!
Sabia o seu nome e muito pouco a sua Poesia. Agora sei que Cora Coralina é Poesia, é Sabedoria, é Mulher…!!!
Amei …
Muito bom ler Cora Coralina!
exempro de mulher , ternura e forca!!!!
[...] http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cora-coralina-poemas/ [...]
Me sinto honrada com tamanha sabedoria desta mulher
eu adoro ler os poemas de cora!
Tive o prazer de conhecer a sua casa na linda cidade de Goias. Recomendo uma visita.
Nossa mesmo sendo um adolecente adoreei os poema dela.Ela foi uma grande mulher uma mulher exenplar
Amo!
muito boom
lindo!!!
Simples assim,..
Exemplo de força e sabedoria: Cora Coralina!
legal
Lindos…*-*
magnífica !!!!!!!
Cora Coralina: a simplicidade em versos!
Profundos e singelos são os poemas de Cora!
Linda demais!!! Semblante de paz…de transparente lucidez…
cora coralina e maravilhosa sem comentarios
Eu sou fã de cora , tudo de bom.
é muito encantadora
cora foi e sempre será para nós brasileiro um orgulho pois ela sabia de tudo sobre o Homem sofrido do campo.adorei d+ o poema antiguidades parece que saiu la da minha casa e o cantigo da terra também.
Simplesmente maravilhosa…
Leve e facinante: Esta é Cora, mulher de nossa terra!!!
muito se encontra sobre a grande poetisa, Cora . Aqui complementamos
maravilha
Encantadora…sutil…singular: Cora, sempre Cora!
BELO!
linda!
Amo !
ela é simplesmente maravilhosa!
Pura experiencia de vida vivida. Linda!!
Singular, a magnífica Cora Coralina
Ler é viajar …
Quanta SABEDORIA! De mulher simples, autêntica, verdadeira, sem futilidades!!! Linda Cora! CoraLINDA!!!
Goianas de meu Goiás o que fazes? Nada vos preocupes senão o cultivo de sua simplicidade e encantadora beleza. Nada te preocupes senão a vontade de poetizar a vida assim como fez sua mestra Cora.
Ela ser Fantastica
maravilhosos!
maravilhosa Cora..sonhos amor..amando !!!
A vida é assim , se aprende com os erros e se cresce com os acertos.
MULHER SABIA…
Mulher linda, criatura sublime… amo Cora Coralina
genial
Sempre nos dando uma lição de vida em cada palavra escrita .
"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça." – Cora Coralina…maravilhosa!!!
poéticos e reais
ela escreve o que vamos sonhar…………
ou sonhamos o que ela deixou escrito !!!
O poema é feito de pedras e sonho…
[...] selecionados da autora: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cora-coralina-poemas/ Share this:TwitterFacebookLike this:LikeBe the first to like this post. Published: June 9, 2012 [...]
ela e boa poetica e maravilhosa
Meu coração fica em estado de graça, enquanto meus olhos enchem de lagrimas de alegrias… Suas palavras alimentam a alma…
É um prazer poder levar poesia de qualidade a tantos olhos…
Fico sempre em estado de graça qdo leio Cora Coralina. Sua poesia eleva minha alma às alturas . Maravilhosa…………
lindo não tenho palavras para descrever
eu tenho 11 anos e já sei apreciar um lindo poema
A magia da poesia de Cora Coralina, realmente contagia a gente.Aninha é incrível, seus poemas são musicas harmoniosas, amo seus escritos, Ensinei muito meus alunos a declamar suas poesia, Cora esteve presente em minhas aulas. Hoje ensino minha neta de quatro anos a declamar seus poemas.Sou fã admiradora dessa fantática Mulher.
Ela não mais nos ouve, não digo se pena. Mas eu a ouço, como à pouco instante, e meus filhos e netos, se houverem, a ouvirão.
Ela é incrível: vai do céu ao sítio como num passe de mágica. Aninha e Suas Pedras é o meu favorito.
eu amo a Cora Coralina
Se tivesse aqui gde nº de poemas de Cora, eu não teria sono. Pessoas como C.Coralina são eternas. Seus versos envolve-nos que até parece q. vivemos tudo que ela viveu. Amada Cora, vc vive, revive, todas as vezes que os seus versos são lidos.
Pres. Prudente, maio/2012
Cora é uma poeta muito boa. Eu na escola preciso de umas poesias dela e fico em dúvida sobre qual escolher…
Parabéns, Cora Coralina!!!
bjs…a todos
Ler Cora Coralina é entrar dentro de um infinito labirito sem medo de se encontrar!
Parabéns pela homenagem a essa grande poeta da vida!
Jocemara Matilde
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vc é uma grande artista. adoro vc, Cora Coralina! mts bjs a todos que lerem esse comentário.
mesmo eu com 12 anos de idade ja aprecio suas obras! mt lindo Cora!
É muito legal o trabalhar com os poemas dela
ou que blz em q blz
Cora Coralina, doce mulher!
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Que a atitude de ler comece cada vez mais cedo, é logico que um bom conteudo faz a diferença!
Cora, Coralina ainda menina mesmo avançada a idade, foi como ela e eu podemos desamarrar os laços e fazer nossas poesias.
Cora, eu adoro!
Excelente seu trabalho, Fábio.
Beijos
Mirze
muito lindas as poesias,eu adoroooooooooooo
Cora Coralina, tão linda a poetisa que com doces e palavras deixou o mundo menos sem graça, mais sábio….
… e me fazer pedra de segurança, dos valores que vao desmoronando..
taí o grande desafios dos dias que correm.. sabemos das mudanças, das inovações, mas cabe a pergunta… alguma coisa ficou melhor em nossas vidas?
marco, acho que algo de bom sempre fica. Abração
“Mãe”, “Tods as vidas” e “Eu voltarei”, quanta beleza!
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Cora Coralina , Aninha , fantasticamente, maravilhosa !!!!
Amo, seus poemas, sua simplicidade, cada verso uma emoção.
"Antiguidades"quem não tem para contar, rir e chorar é exatamente assim…
A vida é assim , se aprende com os erros e se cresce com os acertos.
Lindo semeando esperanças…
Semeando ideias com Cora Coralina!!!