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Ferreira Gullar – Poemas

Ferreira Gullar – Poemas

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

( Ferreira Gullar )

ferreira-gullar-rosto-metade

camisetas amo poesia

*

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

( Ferreira Gullar )

*

No corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

( Ferreira Gullar )

ferreira-gullar-maos

*

Madrugada

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

( Ferreira Gullar )

*

Subversiva

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

( Ferreira Gullar )

*

Poema sujo (trecho)

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti

bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta

Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís
do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos
e pais dentro de um enigma?
mas que importa um nome
debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre
cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de
garfos e facas e pratos de louças que se quebraram já

um prato de louça ordinária não dura tanto
e as facas se perdem e os garfos
se perdem pela vida caem
pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos
e baratas ou enferrujam no quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira

e as grossas orelhas de hortelã
quanta coisa se perde
nesta vida
Como se perdeu o que eles falavam ali
mastigando
misturando feijão com farinha e nacos de carne assada
e diziam coisas tão reais como a toalha bordada
ou a tosse da tia no quarto
e o clarão do sol morrendo na platibanda em frente à nossa
janela
tão reais que
se apagaram para sempre
Ou não?

Não sei de que tecido é feita minha carne e essa vertigem
que me arrasta por avenidas e vaginas entre cheiros de gás
e mijo a me consumir como um facho-corpo sem chama,
ou dentro de um ônibus
ou no bojo de um Boeing 707 acima do Atlântico
acima do arco-íris
perfeitamente fora
do rigor cronológico
sonhando
Garfos enferrujados facas cegas cadeiras furadas mesas gastas
balcões de quitanda pedras da Rua da Alegria beirais de casas
cobertos de limo muros de musgos palavras ditas à mesa do
jantar,
voais comigo
sobre continentes e mares

E também rastejais comigo
pelos túneis das noites clandestinas
sob o céu constelado do país
entre fulgor e lepra
debaixo de lençóis de lama e de terror
vos esgueirais comigo, mesas velhas,
armários obsoletos gavetas perfumadas de passado,
dobrais comigo as esquinas do susto
e esperais esperais
que o dia venha

E depois de tanto
que importa um nome?
Te cubro de flor, menina, e te dou todos os nomes do mundo:
te chamo aurora
te chamo água
te descubro nas pedras coloridas nas artistas de cinema
nas aparições do sonho

- E esta mulher a tossir dentro de casa!
Como se não bastasse o pouco dinheiro, a lâmpada fraca,
O perfume ordinário, o amor escasso, as goteiras no inverno.
E as formigas brotando aos milhões negras como golfadas de
dentro da parede (como se aquilo fosse a essência da casa)
E todos buscavam

num sorriso num gesto
nas conversas da esquina
no coito em pé na calçada escura do Quartel
no adultério
no roubo
a decifração do enigma

- Que faço entre coisas?
- De que me defendo?

Num cofo de quintal na terra preta cresciam plantas e rosas
(como pode o perfume
nascer assim?)
Da lama à beira das calçadas, da água dos esgotos cresciam
pés de tomate
Nos beirais das casas sobre as telhas cresciam capins
mais verdes que a esperança
(ou o fogo
de teus olhos)

Era a vida a explodir por todas as fendas da cidade
sob as sombras da guerra:
a gestapo a wehrmacht a raf a feb a blitzkrieg
catalinas torpedeamentos a quinta-coulna os fascistas os nazistas os
comunistas o repórter Esso a discussão na quitanda a querosene o
sabão de andiroba o mercado negro o racionamento oblackout as
montanhas de metais velhos o italiano assassinado na Praça João
Lisboa o cheiro de pólvora os canhões alemães troando nas noites de
tempestade por cima da nossa casa. Stalingrado resiste.
Por meu pai que contrabandeava cigarros, por meu primo que passava
rifa, pelo tio que roubava estanho à Estrada de Ferro, por seu Neco
que fazia charutos ordinários, pelo sargento Gonzaga que tomava
tiquira com mel de abelha e trepava com a janela aberta,
pelo meu carneiro manso
por minha cidade azul
pelo Brasil salve salve,
Stalingrado resiste.
A cada nova manhã
nas janelas nas esquinas nas manchetes dos jornais

Mas a poesia não existia ainda.
Plantas. Bichos, Cheiros. Roupas.
Olhos. Braços. Seios. Bocas.
Vidraça verde, jasmim.
Bicicleta no domingo.
Papagaios de papel.
Retreta na praça.
Luto.
Homem morto no mercado
sangue humano nos legumes.
Mundo sem voz, coisa opaca.
Nem Bilac nem Raimundo. Tuba de alto clangor, lira singela?
Nem tuba nem lira grega. Soube depois: fala humana, voz de
gente, barulho escuro do corpo, intercortado de relâmpagos

Do corpo. Mas que é o corpo?
Meu corpo feito de carne e de osso.
Esse osso que não vejo, maxilares, costelas
flexível armação que me sustenta no espaço
que não me deixa desabar como um saco
vazio
que guarda as vísceras todas
funcionando
como retortas e tubos
fazendo o sangue que faz a carne e o pensamento
e as palavras
e as mentiras
e os carinhos mais doces mais sacanas
mais sentidos
para explodir uma galáxia
de leite
no centro de tuas coxas no fundo
de tua noite ávida
cheiros de umbigo e de vagina
graves cheiros indecifráveis
como símbolos
do corpo
do teu corpo do meu corpo
corpo
que pode um sabre rasgar
um caco de vidro
uma navalha
meu corpo cheio de sangue
que o irriga como a um continente
ou um jardim
circulando por meus braços
por meus dedos
enquanto discuto caminho
lembro relembro
meu sangue feito de gases que aspiro
dos céus da cidade estrangeira
com a ajuda dos plátanos
e que pode – por um descuido – esvair-se por meu
pulso
aberto

Meu corpo
que deitado na cama vejo
como um objeto no espaço
que mede 1,70m
e que sou eu: essa coisa deitada
barriga pernas e pés
com cinco dedos cada um (por que
não seis?)
joelhos e tornozelos
para mover-se
sentar-se
levantar-se

meu corpo de 1,70m que é meu tamanho no mundo
meu corpo feito de água
e cinza
que me faz olhar Andrômeda, Sírius, Mercúrio
e me sentir misturado
a toda essa massa de hidrogênio e hélio
que se desintegra e reintegra
sem se saber pra quê

Corpo meu corpo corpo
que tem um nariz assim uma boca
dois olhos
e um certo jeito de sorrir
de falar
que minha mãe identifica como sendo de seu filho
que meu filho identifica
como sendo de seu pai

corpo que se pára de funcionar provoca
um grave acontecimento na família:
sem ele não há José Ribamar Ferreira
não há Ferreira Gullar
e muitas pequenas coisas acontecidas no planeta
estarão esquecidas para sempre

corpo-facho corpo-fátuocorpo-fato

atravessados de cheiros de galinheiros e rato
na quitanda ninho
de rato
cocô de gato
sal azinhavre sapato
brilhantina anel barato
língua no cu na boceta cavalo-de-crista chato
nos pentelhos
com meu corpo-falo
insondável incompreendido
meu cão doméstico meu dono
cheio de flor e de sono
meu corpo-galáxia aberto a tudo cheio
de tudo como um monturo
de trapos sujos latas velhas colchões usados sinfonias
sambas e frevos azuis
de Fra Angelico verdes
de Cézanne
matéria-sonho de Volpi
Mas sobretudo meu
corpo
nordestino
Mais que isso
maranhense
mais que isso
sanluisense
mais que isso
ferreirense
newtoniense
alzirense
meu corpo nascido numa porta-e-janela da Rua dos Prazeres
ao lado de uma padaria sob o signo de Virgo
sob as balas do 24º BC
na revolução de 30

e que desde então segue pulsando como um relógio
num tic tac que não se ouve
(senão quando se cola o ouvido à altura do meu coração)
tic tac tic tac
enquanto vou entre automóveis e ônibus
entre vitrinas de roupas
nas livrarias
nos bares
tic tac tic tac
pulsando há 45 anos
esse coração oculto
pulsando no meio da noite, da neve, da chuva
debaixo da capa, do paletó, da camisa
debaixo da pele, da carne,

combatente clandestino aliado da classe operária
meu coração de menino (…)

( Ferreira Gullar )

Conheça também:
Ferreira Gullar – Wikipedia

(Seleção de Fabio Rocha)


Ferreira Gullar

Ferreira Gullar

O poeta Ferreira Gullar

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Camisetas Amo Poesia

48 Respostas

  1. Christianne Silva

    Christianne Silva
    turma: 2º “E” Turno: Vespertino
    C.E Terezinha de Jesus Coelho Rocha

    Eu adorei a nova versão da canção do exílio, a obra de Ferreira Gullar abre nossos olhos para as reflexões do mundo, ele é um autor incomparável.

  2. Viviane Carvalho

    Viviane Carvalho
    turma: 2º “E” Turno: Vespertino
    C.E Terezinha de Jesus Coelho Rocha

    lindo poema!

  3. Wanderson de Oliveira Silva

    Wanderson de Oliveira Silva
    turma: 2º “E” Turno: Vespertino
    C.E Terezinha de Jesus Coelho Rocha

    gostei muito dos seus poemas, principalmente do “Não há vagas”

  4. Paulo da Paz Santos

    Paulo da Paz Santos
    turma: 2º “E” Turno: Vespertino
    C.E Terezinha de Jesus Coelho Rocha

    Muito bom esses seus poemas…!

  5. paulo da paz santos

    Muito bons seus poemas, Ferreira Gullar.

  6. fernando freitas

    há… já me sinto iluminado revendo ferreira gullar.. pior ainda, sinto profunda saudade qdo encontrava com ele dentro do supermercados sendas em plena copacabana! aí eu abusava…..! ferreira….. linda pessoa. há…esse meu coração de minino, bate e pulsa que nem gente em vertigem …fernando freitas filho.feliz 2014 mais poesia …!!!!

  7. Gustavo de Oliveira Nascimento

    Ainda não o tinha lido, gostei muito de seus versos principalmente poema sujo
    que de sujo somente no título.

  8. halbelina

    Que Deus abençoe você, Ferreira Gullar!

  9. Sem dúvidas, um dos maiores poetas da nossa língua. O povo precisa mesmo ter acesso ao seu trabalho. Obrigado pela postagem. Abraços.

  10. joicy

    gostei mt desse site, me ajudou mt com meu trabalho de redação ! kkkk e tbm ajudou-me a enrriquecer mu conhecimento de FERREIRA GULLAR, q’ ñ inicio, eu ñ sabia se era homem ou mulher !!

  11. É SURPREENDENTE A CAPACIDADE DE ALGUMAS PESSOAS DE EXPRESSAR NA ESCRITA O QUE SENTE, O QUE DESCONTENTA, O QUE O ALEGRA, E O QUE QUER CONTAGIAR…. É POESIA..

  12. POEMAS INSPIRAÇÃO, VIDA, ALMA, TRISTEZA, ALEGRIA….. POEMAS EXPRESSÃO MAIS PROFUNDA DE DIZER O SENTIMENTO

  13. Contundente, mas sensível, infinitamente sensível!Maravilhoso Ferreira Gullar!

  14. Jurema da Maia

    Amo,,,,,,,,,

  15. Iara Aparecida

    Amei ''Traduzir-se''

  16. Muito bem escolhidas as poesias, Fabio Rocha. Gullar é um grande poeta, sem dúvida. Abs. Ricardo Mainieri

  17. Ronaldo Correa dos Santos

    Ferreira Gullar e a poesia brasileira mais viva,vertiginosa e delirante que temos p/nos deixarmos envolver e saborear!Ler Ferreira gullar,com direito a metonimias e outros delirios,e mergulhar no vazio sem fundo da surpresa,a cada verso,a cada composiçao!!Amo seus poemas como amo o dia inteiro a minha frente p/descobrir!

  18. É um Arraso! Amo a poesia do senhor Ferreira Gullar! Assim como curto muito a tradução de Ubu Rei, Alfred Jarry!…

  19. Caio Magno

    muito bom
    como uma flor Ferreira Gullar exala o perfume da noite que encanta o dia,
    poesias sobre poesias
    no prazer de trazer para nós
    a doce a paixão de ser
    apenas ser

  20. O ler um poema me deixa uma idéia de que não fora escrito, nasce uma absurda mas generosa sensação de mais um sopro pra minha alma

  21. Foi meu mestre desde os anos 70 – Meu trio de poetas: FerreirA Gullar, Carlos Drumond de Andrade e Carlos Nejar. Depois vieram Adélia Prado e Manoel de Barros – A poesia para preencher a vida de no caos das coisas esquecidas e lembradas.

  22. Sensaciona! Só tenho o que agradecer a tanta vida e poesia! Muito grata!!!!

  23. Martin Teves

    LINDOOOO!!! A LINGUA PORTUGUESA….!!

  24. Ferreira Gullar: ao ler os seus poemas eu continuo a sentir solidão, mas, é uma solidão preenchida…

  25. Excelente letrista brasileiro um dos grandes nossa época, tornando=se mestre no que faz com uma qualidade pessoal incomparável

  26. É difícil afirmar quem são os melhores.Se tivéssemos a possibilidade de enumerá-los, a lista seria imensa.O maranhense está no topo, é muito bom, é ótimo.

  27. poesiaDodia #37 | designDipoesia

    [...] Ferreira Gullar [...]

  28. Suely Braga

    Adora as poesia de Ferreira Gullar.São os poemas que gosto muito.

  29. Larissa

    Muito bons o poemas,grande poeta

  30. Nas tantas magias da poesia, eis um dos magos…

  31. France Fonseca

    Adoro tudo de Ferreira Gullar! Absolutamente, tudo! Porque parte de mim é poeta e a outra parte não é absolutamente nada!

  32. Quelyno Souza

    Na minha juventude li o livro Toda poesia de Ferreira Gullar

  33. Vitória Santos

    Ferreira Gullar, um dos tais que têm o dom de despir nossa alma. Genial.

  34. Poema Sujo - Ferreira Gullar (com vídeo) | A Magia da Poesia

    [...] pele, da carne,combatente clandestino aliado da classe operária meu coração de menino (…)( Ferreira Gullar )Leia mais Ferreira [...]

  35. A lucidez do poeta assusta e encanta! Resume o paradoxo de nossos dias.

  36. Ele e Manoel de Barros considero os maiores poetas vivos do país. Obrigado pela visita e volte sempre!

  37. Tania Borges

    quando leio Traduzir-se, penso-”sou eu, tão bipolar” e me sinto menos sozinha…

  38. O Ferreira Gullar, para mim, é o maior poeta vivo da língua portuguesa, há outros muito bona, mas ele ultrapassa.

  39. Muuuuito bommmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!

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