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Pablo Neruda – Poemas

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Pablo Neruda – Poemas Traduzidos

Soneto XLIII

Um sinal teu busco em todas as outras,
no brusco, ondulante rio das mulheres,
tranças, olhos apenas submergidos,
pés claros que resvalam navegando na espuma.

De repente me parece que diviso tuas unhas
oblongas, fugitivas, sobrinhas de uma cerejeira,
e outra vez é teu pelo que passa e me parece
ver arder na água teu retrato de fogueira.

Olhei, mas nenhuma levava teu latejo,
tua luz, a greda escura que trouxeste do bosque,
nenhuma teve tuas mínimas orelhas.

Tu és total e breve, de todas és uma,
e assim contigo vou percorrendo e amando
um amplo Mississipi de estuário feminino.

Pablo Neruda )
(Poema conferido e digitado por mim mesmo e por Rebeca dos Anjos em 27 de outubro de 2012, do livro Cem Sonetos de Amor – tradução de Carlos Nejar. Rio Grande do Sul: L & PM, 1979, p. 55)

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda )

*

O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

( Pablo Neruda )

pablo-neruda

camisetas amo poesia

*

Tuas Mãos

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.

Pablo Neruda )

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*

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda )

*

Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!

Pablo Neruda )

*

Quero Saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda )

*

Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.

Pablo Neruda )

*

A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora – pão,
vinho, amor e cólera – te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda )

*

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

( Pablo Neruda )

*

Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

Pablo Neruda )

*

Áspero amor, violeta coroada de espinhos,
cipoal entre tantas paixões eriçado, lanãa das dores,
corola da colera, por que caminhos
e como te dirigiste a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso, de repente,
entre as folhas frias do meu caminho?
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram?
que flor, que pedra, que fumaãa
mostraram minha morada?
O certo é que tremeu noite pavorosa,
a aurora encheu todas as taãas com teu vinho
e o sol estabeleceu sua presenãa celeste,
enquanto o cruel amor sem trégua me cercava,
até que lacerando-me com espadas
e espinhos abriu no coração um caminho queimante.

Pablo Neruda )

*

De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.
Noturna travessia, brasa negra do sonho.
Interceptando o fio das uvas terrestres
com pontualidade de um trem descabelado
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.
Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate.

Com as asas de um cisne submergido,
para que as perguntas estreladas do céu
responda nosso sonho com uma só chave,
com uma só porta fechada pela sombra.

Pablo Neruda )

*

O Vento na Ilha

O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.

Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama calopando
para me levar para longe.

Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite

descansarei, amor meu.

Pablo Neruda )

*

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido…
Nenhuma mais, amor, dormira com meus sonhos…
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.
sempre viva. sempre sol… sempre lua…
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo…
teus olhos se fecharam como
duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água
que levas e me leva.
A noite… o mundo… o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho…

Pablo Neruda )

*

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Pablo Neruda )

*

Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.

E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e intristeces prontamente, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.

Pablo Neruda )

*

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda )

*

Talvez

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás… Seremos…

Pablo Neruda )

*

Vês estas mãos?
Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto, quando te percorrem a ti,
pequena, grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
esforçadas alcançam as palomas gêmeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias de tuas pernas,
enrolam-se na luz de tua cintura.
Para mim és tesouro mais intenso de imensidão
que o mar e seus racimos
e és branca, és azul e extensa como a terra na vindima.
Nesse território, de teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida.

Pablo Neruda )

pablo-neruda-sentado

*

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda )

*

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda )

*

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda )

*

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda )

*

Walking Around

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

Pablo Neruda )

*

Os Teus Pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

Pablo Neruda )

*

Angela Adonica

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.

Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.

Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendidas
e oculto fogo..

Pablo Neruda )

*

Poema XLIV

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda )
(Retirado de: Cem Sonetos de Amor – tradução de Carlos Nejar. Rio Grande do Sul: L & PM)

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Camisetas Amo Poesia

134 Respostas

  1. Uauuuuu !!! pesquisando …te achei. Adoreiiiiiiiiiiiiiiii a visita!!! Parabéns Fabio Rocha

  2. eliana

    sou absolutamente furada pelos poemas de Pablo Neruda

  3. Buscando Neruda, deparei-me com seu Blog.
    Que seriedade!
    Que maravilha!
    Parabéns!

  4. Nossa!!! Como é bom passar por aqui.

  5. Dabiel Amaral

    Parabéns pelo trabalho.
    Excelente!

  6. Luciene Reis

    Uma companhia e tanto para esse domingo preguiçoso onde a tempestade se anuncia…

  7. DAISY MARIA GOMES SAMICO.

    SOU APAIXONADA POR POESIAS E PABLO NERUDA É MEU POETA DO CORAÇÃO.ESTOU SEMPRE PROCURANDO POR SUAS POESIAS.
    PARABÉNS PELO TRABALHO! ABRAÇOS.

  8. que bom saber que um poeta dessa grandeza faz parte do nosso sofrido continente sul americano

  9. moizes barbosa santos

    o ser poeta é um dom de Deus,mas inspirado pelo homem. que do seu ítimo pensamento brota as mais lindas frases de amor. esse homem não morreu só descansou um pouco de escrever.

  10. Thaís De Godoy

    lindos, inspiradores e para quem escreve invejável

  11. Rayane Ribeiro

    Perfeitoss !!

  12. Adorei, lindo o seu trabalho.Parabéns.

  13. Fran Santos

    Simplesmente maravilhoso…

  14. vitor oliveira

    adoro poesia e Neruda e um icone da poesia . obrigado plo exelente trabalho . meu preferido e Resignaçao (posso escrever os versos mais tristes esta noite…)

  15. Ariádina E. Cleber

    Admiração branda, perto dos sentimentos que causa-me.

  16. Era tudo que eu queria encontrar!!!!

  17. que delicia Neruda toca o meu coração sempre…

  18. Isadoraestela Gaona Morales

    eres un grande pablo neruda….

  19. Aristeu Gomes

    SIMPLISMENTE MAGNIFIC

  20. Marília Braga

    Emoção e sentimento…lindo!!!!

  21. Ana Clara Fabrino

    Que bom trabalho. Embora seja ótimo ler Neruda em espanhol, aqui está lindo, valorizado. Conheci Neruda em Santiago. Ainda ontem, quando eu tinha 25 anos e o golpe do Chile se avizinhava. Ele já se retirava para Ilha de Páscoa e na casa de um amigo jantamos todos juntos, inclusive Victo Jara que teve as mãos decepadas logo em seguida alguns dias após o golpe. Com que tristeza me lembro que Neruda também partiu alguns dias após o golpe. Não entendo como se pode gostar de Neruda e desprezar as causas sociais, como vejo com frequência aqui no Brasil. Que doces lembranças, que amargas lembranças. um abraço, anaclara

  22. O que seria de mim sem as doces palavras de Neruda!

  23. augusto jose de lima neto

    O amor cantado falado só pablo que eu via mas não lia imagiina o tempo que perdi . Tua cintura e teus seios, a duplicata púrpura dos teus mamilos a caixa dos teus olhos que a pouco levantaram vôo , a larga boca de fruta ,tua rubra cabeleira , pequena torre minha.

    Vcs imaginam que tem para ler. bjs a quem compartilhar.

  24. Pablo Neruda simplesmente fantastico.

  25. Parabéns amiga, felicidades. Vc merece td de bom BJS

  26. Ana Júlia

    Muito bom! Gosto muito dos poemas do PNeruda, e o meu preferido é “Onde está Guilhermina?”. Este é um poema muito perfeito, em que ele descreve perfeitamente um sentimento (o amor). O PNeruda faz poemas muito bons, digamos. Ele é um poeta que demonstra exatamente o que sente em cada momento, em cada linha, em cada palavra, em cada letra. Parabéns !

    • guilhermina moeckel cavalli

      Ana Júlia, boa tarde.
      Também sou fã de Neruda, que leio (meio mal, é verdade,) em espanhol tanto quanto em português. Mas não lembro desse poema a que você se refere – “Onde está Guilhermina?” – se o tivesse encontrado, lembraria com certeza, não é? E estaria impresso, em algum lugar de destaque, junto de meus livros preferidos.
      Por favor, poderia dizer-me em que obra o encontrarei? Ficarei muito muito muito grata!
      Um abraço,
      guilhermina

  27. Pablo Neruda o q comentar deste maravilhoso poeta ?
    Ele é profundo , as enigmático , as direto , coisas de poeta
    um eterno apáixonado pela vida. plea natureza dpnde surge suas inspirações ?
    as do nada ! Pensou , rabiscou e pronto tá feito.
    AH! nós os poetas…

  28. Sonita E. Santo

    Amei Fábio!!! Muito emocionada com tudo que li!!! Parabéns!!! Bjs…

  29. Lúcia Excluir

    Adoro…Maravilhoso..Intenso.

  30. adoro, minha fonte de inspiração…

  31. Anabela Lemos

    Maravilhoso!

  32. Meu poeta de todos os tempos, sem fim, simplesmente meu poeta.

  33. Muito obrigado por partilhar connosco toda esta bela poesia de Neruda.

  34. Sandra Codeiro

    Adoro PNeruda,
    Felicito-o pelo carinho em dividir essas jóias conosco através da net.

  35. Lu Gonçalves

    Absolutamente inenarrável a beleza dos poemas de Neruda!

  36. Lé um poema de Neruda é sentir o prazer das palavras no coração.

  37. Que jeito de descrever o amor, a a paixão, que mesmo quem não está apaixonado consegue sentir e entender isso nos seus poemas! Eterno …

  38. Neruda, não se pode comentar, tem que ler pra ver quem ele era…

  39. Neruda que eu tanto amo …
    Como é delicioso imaginar-se a diva de suas poesias …

  40. Olá! Passei aqui para te agradecer pelo seu trabalho, pois adoro este genio que encanta a todos os que amam e para pedir-lhe desculpa pois, publiquei aqui meus sentimentos para uma pessoa muito especial , e sequer te comprimentei… Desculpa a falha e muito no brigado que Deus te ilumine sempre

  41. É para você e você sabe para quem é, apesar de tudo, saõ para você que povoa meu dia e me atormenta nesta noite negra e gelada de Dionisio Teixeira SC , ontem renasci e morri em questaõ de minutos , assim mesmo saõ para ti, louco, estranho e insesato amor, sentimento que quero e que me apavora , pois consome meus últimos dias corroendo -me noite adentro, temo, sim temo esse sentimento, pois esse seu jeito todo dubio de ser, pode já ter feito outra ou outras vitimas… Penso em correr , mas para onde ? você está qui o tempo todo me torturando, quando corro é em sua direçaõ , me faz sentir bobo, pois quem sente o que sinto so pode ser isso; bobo mesmo…Tempo ? Naõ tenho muito ! Naõ posso maltrar mais meu coraçaõ que tá caido, ferido, de um passado que se foi, me deixando baos lembranças, mas naõ queria ir, lutou para ficar, mesmo que incopleta queria ficar, e eu àqueria de qualquer forma, e isso ela sabia, mas Deus à quiz precisava de sua luz, de seu encanto de sua doçura de sua mansidaõ …mesmo assim saõ para ti pois reconheço que sabe pouco de mim e quer mais e ainda naõ posso te dar, sei de tua ansia, sei de teus desejos; Espera apenas mais um pouco e muda para naõ matar , e sem saber se ainda me quer e correndo todo o esse risco, mesmo assim ainda te quero muito…

  42. Luciane Souza

    lindo….simplesmente….MARAVILHOSO, uma exaltação ao AMOR…

  43. Zaira Belintani

    Para mim os poetas e demais artistas dizem o que eu não saberia dizer, fazem o que eu não saberia fazer, mostram o que eu não saberia mostrar. Em troca deixo o meu sentir, o o meu olhar e o meu viver.
    Obrigada por compartilhar.

  44. Delvan Tavares Oliveira

    Os poemas de Neruda são grandiosos, infinitos e eternos.

  45. Quando se lê a poesia de Neruda os sentimentos são sublimados e descobrimos nesse extase que o nosso amor acontecendo cria, também, sem darmos conta, belos quadros sem sombras onde impera a beleza. Muito obrigado, por partilhar esta poesia connosco.

  46. [...] do Amor ImprevistoOlavo Bilac: Via Láctea – com vídeo na voz de Juca de OliveiraNeruda, quase todos os poemas daqui e mais: Poema 20 – com vídeos  | Dois amantes felizes não tem fim nem morte (com imagem [...]

  47. Iris Lima

    Lindos poemas!!!!! Seleção extraordinária, parabéns!!! Os poemas de Pablo Neruda me fazem lembrar do meu amor.

  48. [...] o pasto e a areia, ser feliz com o ar e a terra, ser feliz com você, com sua boca, ser feliz.( Pablo Neruda )Leia mais Pablo [...]

  49. Fernando Garcez

    Muito obrigado pelo seu trabalho que me permitiu revisitar a poesia de Pablo Neruda.

  50. [...] têm fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem, são eternos como é a natureza.( Pablo Neruda )Leia mais Pablo [...]

  51. BRENDA

    *

    Talvez

    Talvez não ser,
    é ser sem que tu sejas,
    sem que vás cortando
    o meio dia com uma
    flor azul,
    sem que caminhes mais tarde
    pela névoa e pelos tijolos,
    sem essa luz que levas na mão
    que, talvez, outros não verão dourada,
    que talvez ninguém
    soube que crescia
    como a origem vermelha da rosa,
    sem que sejas, enfim,
    sem que viesses brusca, incitante
    conhecer a minha vida,
    rajada de roseira,
    trigo do vento,

    E desde então, sou porque tu és
    E desde então és
    sou e somos…
    E por amor
    Serei… Serás… Seremos…

  52. Lariie Amorim

    lindo lindo *-*

  53. Mário L S Franco

    Que maravilha!!! Estou aqui a “pescar a luz caída com paciência”.

  54. Virginia Cavalcanti

    cada um tem sua missão….a de Pablo Neruda, falar de amor, vida com o coração, emocionando a todos e nos fazendo viver melhor….

  55. Janice Furtado

    Estou fascinada…lindos poemas!

  56. Quando leio Neruda, penetro em mim, dessedentando a minha alma inquieta. Obrigada.

  57. Silvio Dias

    Que belo espaço voce criou para mostrar a obra poetica de Pablo Neruda.
    Seus poemas fazem parte do meu casamento.
    Parabens!

  58. Pablo Neruda , simplesmente fantástico ! parabéns pela seleção =D

  59. [...] Pablo Neruda ) Share this:TwitterFacebookGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. Esta entrada [...]

  60. Obrigado pelo carinho e pela visita! ;)

  61. Parabéns pelo bom gosto.Pablo Neruda, simplesmente perfeito.

  62. Simone Mata

    Saudades é o meu preferido!!!

  63. Eu que agradeço pela visita, Fátima!

  64. [...] Embora seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.( Pablo Neruda )Leia mais NerudaTweetgoogle.load('orkut.share','1');google.setOnLoadCallback(function(){new [...]

  65. Marcia Campos

    adoro poesias amo este poeta, inimaginavel o que ele constroi em rimas

  66. Fabio Linera

    Estes poemas, nos fazem entender o refrão daquela musica do Chico Buarque, que diz assim. (Devolva o Neruda que você me tomou, e nunca leu… e o resto é seu.)

  67. Muito bom, obrigada Fábio Rocha!!!

  68. Simone Mata

    Extraordinário…

  69. São tão maravilhosos que me encantam a alma!

  70. Gabriela Saliba

    Sensacional

  71. Linda as Poesias de Pablo Neruda…..

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