Sobre Fabio Rocha > Presentes que ganhei em poesia

Passei toda a tarde numa livraria,
Onde me perdi nos livros mais diversos.
Mas, não encontrei os livros que queria,
E voltei pra casa faminta de novos versos!
Já não se fala mais em poesia,
Restam poucos de nós a resistir…
Que fazer, se nos acovardamos,
Ao deixarmos que escolham a leitura
Que nos enfiam a seco na garganta?
Num último ato de bravura,
A voz de um poeta se levanta,
Incitando-nos todos a não desistir!
Ainda bem que recebo a cada dia
Os  poemas que brotam do seu peito
Como oxigênio que a vida faz fluir…
Uma grata certeza tenho em mente,
Ao ver que nem tudo está perdido
Enquanto seus versos forem a semente
Que vai brotar no mundo que está por vir!

( Poema de Sonia Villarinho )

*

O poeta Trololó

(Para Fabio Rocha)

A verdade do poeta está na cama:
Dorme com a cabeça azul para sonhar com os céus das fotografias.
A arma do poeta são botões:
Guerra dentro de uma caixa-preta.
A alegria do poeta tem cor e cheiro e sabor do pastel
Que não suja a cozinha.
A hora do poeta tem som.
Os quadros do poeta são retos.
A barriga do poeta tem vida.
O sorriso do poeta é aberto.
A cabeça do poeta é nuvem azul
Pra nuvem ser o todo
O todo na cabeça
Azul
Cor de trololó.

(Poema de Rebeca dos Anjos)

*

Um Girasol

Um dia vou ser como é Fabio Rocha
E gostarei das coisas que Fabio hoje gosta
Tocar o etéreo como toque a rocha
Ouvir o silêncio, esquecer a resposta

Ai! Como eu queria ser um Fabio Rocha
E ter a coragem, rimar-me com tocha
Moeda, poema, da busca infinita
Um quê que, de calmo, num verso se agita

Meu mudo poema, meu mundo ilimita
Pois dentro de mim há uma coisa que grita
Liberta a palavra, palavra eremita
Que vendo a de Fabio, em mim só não habita

Mas Fabio é mutante, poeta é assim
Se chego a ser Fabio, não cheguei ao fim
Pois esse que imito, tentando crescer
Transforma-se em mito, me escapa sem ver

Difícil tarefa, agradável missão:
Catar as estrelas que brotam do chão.
Poesia é Magia, Encanto, Apogeu
Tentando ser Fabio é que chego a ser Eu.

(Poema de Fernandes Branco)

*

Fabio Rocha

ele todo paixão
lia as entrelinhas
da ilusão
desperto em profunda
meditação
pensava que todo amor
que tinha
era pura poesia

(Poema de Luiza Maciel Nogueira ), que também me presenteou com este desenho

*

Rocha Filosofal

Quando rio,
há no Rio, explicação.
Não, dentista não!
Janeiro é um mês
que já está no passado.
Mas, que bom seria
se este Janeiro estivesse aqui do lado!
A poesia é um pouco do Rio que me visita.
É o rio que corre no corpo de quem se excita…
E o poeta se transfigura em verso quente…
Verso que versa de todo jeito
que corta dentro, fora, detrás pra frente.
Pedra que Drummond não achou em seu caminho.
Pobre! Não há Rocha nas Minas Gerais.
Eis a Rocha Filosofal!
Reflexo Da busca.
Na medida do impossível…
Eis o exímio da palavra!
Vice-Rei não mais. Acre dito!
Ver Tudo pelos ares, hoje, me satisfaz.
Leio-te, sigo seu ritmo de Liberdade.
Marítimo…
Pairo atônita, é a Alquimia dos seus versos…
A magia da sua poesia…
Antes, Elaera, não é mais?
_ Adoro este verbo no pretérito!
No fim começo a
ver o começo no fim…
Tragicomédia,
Seria, o fim no começo…
Mas, sorrio…
Só Rio…
Caminho esperando o
caminho a manhã…
Ainda sigo com o corte
de não ter o Corte
no submarino.
Supero! Me espelho
em sua armadura de dragão.

Estive investigando o outro e o outro…
Vinícius, Bandeira, Quintana…
O geminiano
com gêmeos como ascendente,
acende a luz do verso no link…
E os vence!

Uma salva de palmas
Pra suas pralarvas!

(Poema de Raquel Amarante)

*

oásis

(Para Fabio Rocha)

quando o sorriso desestampa
o coração se descompassa
a fonte passarinha uma surpresa
para dizer o que acomete no peito
se a vida lá fora reprime,
com tempo chuvoso e frio rigoroso
olha-se além partes da história
e por trás da colina encontra detalhes profundos,
núncio pela glória da segunda casa
novo e viçoso na alma aspirante

(Poema de canteiro pessoal – 2010-07-31)

*

?

(Para Fabio Rocha)

Meu Deus
a poesia era o asfalto
a solidão
a internet

A poesia era um homem
era uma cidade se erguendo
em Rocha.

(Poema de Lesselis)

*

A Caneta Preta

(Para o Rocha)

Poderás desenhar um homenzinho de pau
Escrever o nome de Maria
Pintar um poema
Ou rabiscar a pedra do caminho

Só não poderás,
Em meio aos loucos destroços dessa grande piada,
Saber o que realmente quis dizer
Tudo isso.

(E porque
-Porque, meu Zeus, porque!-
Porque logo você tinha que ser o poeta desse povo todo)

(Poema de Luiz Guilherme Libório Alves)

*

SEMENTE

Sinto vontade de te colocar em meu colo, acariciar-te o rosto e dizer-lhe que não te preocupes. Estou aqui. Amansa teu coração porque o meu já é seu. E eu já sou sua. Somente. Mas isso ainda é semente. Afeto. Então coloca minha cabeça em teu peito e me diga: Estou aqui. Me ame. Me deseje. Me possua. E serei inteiramente sua. Sempre.

(Poema de Ela, do EraEla )

*

Poeta

Não te conheço
(mas não me conheço também)
Mas espero
tuas dores
teus amores
e teus versos.

Ah, em ti…
há tanto de mim
e tanto de todos
e tanto de tudo.

De cada linha tua
transborda
…música
…alívio
…alento
…alimento.

Tu escreves
minhas palavras
que não souberam
como chegar até o papel.

(Poema de Renata)

*

Das tuas asas

(para Fabio Rocha)

Borboletras
Bordam teu brio
Nas belas
Entrelinhas

Borboletas
Brindam teu rio
Nas brisas
Das linhas

Por toda face
Bordado à mão
Brilha nos ares
Do universo

Por toda fonte
De inspiração
Dourado oásis
Dá asas ao verso

(Poema de Cris de Souza)

*

Somos o que somos

(Para meu amigo Fabio Rocha.)

Um poeta
precisa de paixão
precisa de pai
precisa de paz
precisa de papel.

Ser humano
é inspiração demais
para nossos devaneios.

Um poeta
precisa de pontes
portas
janelas.

Olhar o céu todo dia
e não se cansar.

Precisa de nada e tudo
precisa de antes e depois
precisa de nunca e sempre.

Existir e escrever
porque a vida é um texto raro
de linhas tortas.

“A poesia
não leva a nada.
Leva a tudo.”

A poesia nos levou
e nos trouxe
para este mundo
que é o mesmo e diferente.

Quanto mais penso
que somos poetas
mais sou
um poeta que não pensa.
Só sinto.
Sentir é pensar quieto
ou preocupado
gritar no silêncio
a loucura mais pura.

Sincronicidades à parte
a nossa vida é poesia
sem limite
sem data
sem dia
e sem fim.

(Poema de Ígor Andrade)

*

A queda da matilha

(Para Fabio Rocha.)

[...]
“Queria voltar ao que nos pertence
com um poema
na medida
do impossível”

Um dia desses escreveremos algo
Que andará milhões em tempo
pra frente.
Assimilará o povo
as bananas
os poetas,
arreganhará os dentes!
A tudo tudo tudo que atormente.

Será tão leve, mas tão maciço,
que ouviremos longe, dum anjo bem quente:
“Ih, olha lá o sujo serviço
pra gente”

E tudo então acabará
Ex-plo-di-da-men-te…

(Poema de Luiz Guilherme Libório Alves)

*

A cura

(Para o amigo Fabio Rocha.)

A poesia
me mantém vivo
até quando morro aos pouquinhos.
Me mantém lúcido
e me sintoniza com o tempo.

Estou de pé
decidindo para que horizonte
seguir.

Que o sol continue nascendo
ou se pondo
e que os mosquitos
não me roubem o silêncio.

(Poema de Ígor Andrade)

*

MAGIA

(na poesia de um)

mago Filosófico
sabe desconhecendo, como Alcança
o impérvio, o sonho Belo…
Intuitivamente, pensando escreve
Ocas palavras densas
de subtil Riqueza!
estonteante a magia Oculta
da sua estrela Cintilante.
Hilariante poesia, séria?
Aberta, livre, leve…

(-re-conheces?)

(Poema de Alexandra – Portugal)

*

InSaTiSfAçÕeS dE QuInTa
(ouDeSdE mAnHã TeNtO, sEm SuCeSsO,
lEr O nErUdA eM cImA dA mEsA)

(Para Fabio Rocha )

Não.
Não é possível
criar um poema
nesse escritório.
O grampeador é feio
a mesa é velha
os armários, cheios.
Na minha cabeça
há umas idéias
soltas e meu olhar
num esforço hercúleo
poderia até ver beleza
sob o encardido
das persianas.
Mas, por tédio
e cansaço e
falta de vontade
a tarde escoa
como papel A4
quando o fax dá pau:

até esgotar-se
e sem poesia.

(sei que somos mais)

(Poema de Lucimara Hayoama)

*

fábio rocha é fabio
mário quintana é mario.
dois acentos perdidos:
dois remos no mesmo rio.

(mesmo ramo
mesma rama
mesmo rumo
mesma rima)

rema, fabio
mario, remoinho.

(quem diria
o erro de ortografia
virou poesia)

(Poema de Adelaide do Julinho)

*

Aula de Geografia

Apontei coordenadas
fugi dos meridianos
pelas latitudes, enquanto
procurava os paralelos.

Os pontos cardeais
negaram ajuda.

E multipliquei e somei,
e subtraí e dividi
e calculei graus.
Mas nada.

Cartografia inútil
que só decifra cartas
ao invés de aproximar
pontos no mapa.

(Poema de Débora Hubner)

*

POR MISERICÓRDIA

Traindo, cantas teus versos, teus segredos
por eles e para livrar-te deles.
Que serás após? Teu próprio verso?

Nunca outro a contar de ti
em utopia generosa de viver!
Que outro, se é às tuas costas
que ardem as verdades,
e é o teu sangue
que borda as páginas?

Trai, evola-se
o poema que te move,
alimento da alma receosa,
eco de outras vozes desejosas.

Por misericórdia hão de escutar-te
quando clamares por isto
nas chamas de “teus livros”.

A música cuja letra não é tua
é a mesma que saúda
inocentes sem traição alguma,
e é isso que traduz teus berros
em versos claros, não mais a chuva
e tua ciranda de solidão e bruma.

(Poema de Elaine Pauvolid)

*

Depressão

(Para o Fabio Rocha)

Não chores,
Jesus das letras,
Diabo do inferno.

Palavras são palavras,
A esperança chora,
Não chores não.

O ódio, o rancor,
A vida choram.
Deixa que chorem por ti.

Deixa que os versos chorem
De agora em diante.
Não chores por eles.

Não chores
Pelos que não choram,
Nem pelos que riem do mundo.

Chores por viver,
E por teres do inferno
Um céu de arco-íris.

Que chores
Pois do mais ardente calabouço
Constroes a mais bela poesia.

E viva à poesia,
Mesmo no inferno!

Um brinde a ela!

(Poema de Fellipe Cosme, 26 de Novembro de 2003)

*

navalha palavra e uma garrafinha de refrigerantes

(para Fabio Rocha)

“a juventude é uma banda
numa propaganda de refrigerantes”

Engenheiros do Hawaii

o mundo é uma grande armadilha
tentando aprisionar a poesia

fazem de você dia a dia
para que escondas seus versos na gaveta
caçam as borboletas para pesquisas
calam o amor com lágrimas

ainda bem que quem é poeta
saca a palavra como uma navalha
e rasga o silêncio seguindo adiante

segue firme sabotando o tempo
e deixando soprar o vento
vai vendendo refrigerantes

(Poema de Rodolfo Muanis, 16 de Outubro de 2003)

*

Amo amanhã

(para Fabio Rocha)

Hoje não posso,
tudo conspira:
o medo veste a fantasia!

Hoje não devo,
a noite (in)sonha
agonia!

Vou amar amanhã,
“amanhã vai ser
outro dia”!

(Poema de Marise de Sousa)

*

FABIO ROCHA

F ilho virtual querido, parido do coração, operou a magia nas minhas noites vazias
A lguém, me zelando e espreitando? É o divino querer …
B eijo-te a fronte com a ternura cativa
I dêntica a Virgem Maria
O sculando a face do filho já inerte, expressando ali a máxima do amor

R egozijam-me as alegrias dos seus encantos
O seu falar doce, suave, terno, compreensivo
C arinhoso, meigo, e pungente
H á que falar sempre mais alto
A esse pobre coração carente.

Emocionada acrescento: Pari pelo coração
o mais lindo e terno filho virtual…

(Poema de Ana Maria)

*

Feliz és tu Fabio
que na vida vindo,
és capaz de pensar tão grande
e sonhar tão lindo!

És uma lição para aqueles
que da vida indo,
só encontraram solidão e sequer conseguiram
ver a vida lhes sorrindo.

Quando jovem sem buscar
encontrei…
aquele que pensei,
até seus defeitos pudesse admirar.

Que engano!
O tempo passou e sem esperar,
veio a terrível decepção
ele sem pena de me magoar
feriu muito meu coração.

E agora ao ler o teu poema lembrei-me de Florbela Espanca quando diz:

“Sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver e
nunca na vida me encontrou.”

Talvez eu retome essa “Busca” e deixe de ser a visão de alguém que
sonhou…pois decepção não é motivo para se deixar de ser feliz.

(Poema de Moema Goldmann)

*

Abominável menestrel das neves

Um violão que toca a última nota
Um tom sustenido que perdura no ar
Que insiste ao saber que sua vida se
extingüe
Que, aguda, estica-se e morre

O silêncio perdura no ar
Pois o trovador não quer mais falar
Os lobos que uivavam á sua companhia
Agora silenciam em triste melodia

As nuvens cobrem a luz do luar
A névoa vem para opaca o ar tornar
Antes conhecido por sua alegria
Hoje a canção se torna desarmonia

A neve cai indiferente, friamente
Congelando o calor tropical
Punindo a razão, enevoando a mente
Completando visualmente o final

O herói agora é monstro
O lorde agora é servo
O trovador agora mudo
O guardião agora dorme

Nos lábios não mais uma canção
Nos lábios não mais um beijo
Nos lábios agora a morte
E a tristeza da última, silenciosa,
canção

(Poema de Moisés Shonin)

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